Por que as bicicletas elétricas têm dificuldade em se impor na África
As bicicletas elétricas poderiam transformar a mobilidade na África. No entanto, sua adoção permanece limitada na maioria dos países do continente. Uma investigação realizada com especialistas em oito países africanos revela os principais obstáculos que freiam seu desenvolvimento.
A falta de infraestruturas cicláveis seguras está no topo das dificuldades. Sem ciclovias dedicadas nem estacionamentos adaptados, os usuários se sentem expostos a acidentes e a furtos. Essa falta de segurança reforça a ideia de que a bicicleta continua sendo um meio de transporte pouco sério ou reservado aos mais necessitados. Ora, essa percepção negativa desestimula tanto os particulares quanto as empresas a considerarem a bicicleta elétrica como uma alternativa credível às motos motorizadas.
Outro obstáculo importante é a ausência de políticas públicas favoráveis. Na maioria dos países estudados, as bicicletas elétricas não se beneficiam de nenhuma ajuda financeira nem de incentivos fiscais, ao contrário dos carros ou das motos elétricas. Essa exclusão torna seu preço de compra proibitivo para muitos, especialmente quando atinge o valor de uma moto térmica de entrada de gama. No entanto, seu custo de uso permanece bem inferior a longo prazo graças às despesas energéticas reduzidas.
O preço elevado na compra é, aliás, considerado um dos principais obstáculos. Mesmo que os modelos locais sejam projetados para resistir a estradas difíceis e transportar cargas pesadas, seu custo inicial continua sendo uma barreira. As soluções de financiamento adaptadas, como o crédito ou o aluguel com opção de compra, ainda são raras e de difícil acesso, especialmente para os entregadores ou pequenos empreendedores.
Por fim, o desconhecimento das vantagens das bicicletas elétricas agrava a situação. Muitos ignoram sua existência ou seus benefícios, como a simplicidade de uso ou seu impacto ambiental reduzido. Faltam campanhas de informação, e os preconceitos sobre a bicicleta persistem, sobretudo entre os homens, para quem a moto muitas vezes simboliza status social e poder.
Esses desafios são ainda mais complexos porque se alimentam uns aos outros. A ausência de ciclovias desestimula os investimentos neste setor, o que mantém os preços elevados e limita a visibilidade desses veículos. Por outro lado, uma melhor integração nas políticas de mobilidade, infraestruturas adaptadas e campanhas de sensibilização poderiam mudar esse cenário.
As bicicletas elétricas representam, no entanto, uma oportunidade para reduzir a poluição, os congestionamentos e os custos de transporte. Seu sucesso dependerá da capacidade dos governos, das empresas e das associações de trabalharem juntos para superar essas barreiras e mudar as mentalidades.
Références du site
Référence scientifique
DOI : https://doi.org/10.1186/s42055-026-00121-9
Titre : Barriers to scaling up electric bicycles in eight African countries: infrastructure, policy, cost, and perception
Revue : Sustainable Earth Reviews
Éditeur : Springer Science and Business Media LLC
Auteurs : Emilie Martin; Vera-Marie Andrieu; Rumbi Ebbefeld; Paschal Giki; Edna Mercy Manyasa; Chris Kost